Queridos equipistas,


Estamos reunidos hoje, como família de Deus para falarmos do amor d’Ele na expressão de nossas relações. Tenho a certeza que as Equipes de Nossa Senhora, movimento fantástico para a espiritualidade conjugal, tem muito a ensinar aos casais do mundo de hoje, para que o sacramento do matrimônio seja vivido em toda a sua riqueza.
A responsabilidade de vocês é imensa! Neste grande colóquio fraterno, quero dirigir a cada um uma mensagem de esperança, de amor e paz, assim como Maria fez a sua prima Isabel quando foi visitá-la em suas necessidades. Desejo ajudá-los na necessidade que temos de aprender a amar continuamente a todos.

Minha missão consiste em apresentar o valioso subsídio da nossa Super-Região Brasil deste ano, cujo título já nos indica algo indispensável: “Casamento, sacramento do dia a dia”. A Igreja sempre valorizou por demais a família. Ela é, por excelência, continuadora do mandato criador de Deus, berço das valiosas vocações para qual a humanidade é chamada. Deve ser ela, uma comunidade de paz.
Agradeço, de antemão, os casais que dispuseram de sua sabedoria vinda do Alto para nos alimentar com tão valiosas páginas. Seja o testemunho destes uma motivação para todos vocês e também para nós, ministros ordenados.

O livro começa abordando o amor com que nosso querido Padre Henri Cafarrel olhou para os casais, fontes constitutivas de famílias sólidas e coerentes ao Evangelho. É necessária uma união conjugal autêntica para que a vocação do homem e da mulher seja segurada, para que nossa esperança num mundo novo em Cristo não pereça.

Nosso carisma de movimento, alimentar a espiritualidade conjugal, demonstra como os casais devem ser buscadores de Deus na vida, história e missão cotidiana, na descoberta de um amor sempre novo e entusiasmado.

No primeiro capítulo do texto vemos sobressair o bom discernimento vocacional que cada um de nós é chamado a realizar para seguir melhor a Jesus Cristo. Remontando isso à vida a dois uma pergunta se impõe: Como depois de vários anos de vida matrimonial manter a chama acesa do primeiro amor, do encantamento que tomou contas de nossas almas como algo divino e sobrenatural?

A resposta, queridos casais, se encontra no encontro pessoal com Jesus. Foi numa experiência marcante de encontro que nasceu um discipulado fecundo. O caminho vocacional nasce de uma curiosidade constante em “avançar para as águas mais profundas” (cf. Lc 5,4), para ir ao encontro d’Aquele que é Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6).

No matrimônio, vocação que nasce após este encontro bonito com o Senhor, vocês devem encontrar um caminho para uma santidade sem mancha, indo ao encontro do ideal criador e criativo do próprio Pai do céu. O matrimônio apresentado por Jesus vai ao encontro da narrativa da criação, onde homem e mulher são uma só carne numa união natural e indissolúvel, descobrindo-se ainda mais. Tornar-se criaturas novas no amor e na cumplicidade.

Um exemplo de casal para nossas Equipes são Tobias e Sara, que em tudo procuraram agradar ao Senhor com sua vida e vocação matrimonial. O grande hino de louvor se realiza nesta dinâmica perseverante de nunca perder o brilho do olhar para a vida que o casal abraçou ainda na juventude.

No segundo capítulo de nosso texto encontramos a importância de bons e autênticos relacionamentos na vida a dois. De fato, ao tornar-se um só por vocação e missão, o casal deve fomentar sempre a alegria do estar juntos, do amar-se reciprocamente. O exemplo do casal que foi perdendo o encantamento pela vida matrimonial serve de grande alerta para vocês: o cultivo do matrimônio feliz nasce do esforço cotidiano e abnegado que cada um dos cônjuges deve possuir para sempre compreender as fraquezas do companheiro (a).

Quantas situações na vida inquietam os objetivos de um casal que se casou por amor? O exercício da espiritualidade deve ajudar justamente na superação desses impasses cotidianos. Os problemas da vida não devem sobrepor a força do amor que um dia uniu homem e mulher sob o desígnio de Deus. Tenho certeza que vocês através de um testemunho edificante têm muito a alertar e despertar positivamente na vida dos casais que ainda não conhecem o Evangelho e, portanto, não descobriram completamente o caminho de um matrimônio feliz.

Nas palavras do Padre Caffarel, “É o amor que desperta a invenção e, reciprocamente, é a invenção que enriquece o amor”, que inicio a apresentação do terceiro capítulo do livro. A saudável compreensão da sexualidade humana e da vida sexual na vida matrimonial como sinal da união esponsal, contribui grandemente para que o matrimônio esteja edificado. A valorização do outro como imagem de Deus, a co-responsabilidade pelo bem estar de ambos, favorece para que não seja deturpada a beleza da sexualidade, dom de Deus para todos nós.
O matrimônio é o sacramento único para que esta vocação seja bem assimilada. Para isso é necessário que se mantenha sempre viva a chama do amor. A rotina por si só estraga qualquer desejo na vida a dois. Será sempre na aventura da redescoberta e do respeito que o sentimento do início de relação permanecerá.

Abordando as várias dimensões da vida do casal, partamos rumo ao quarto capítulo deste livro que tratará sobre as figuras e responsabilidade do pai e da mãe. O casamento, como já disse inicialmente, é a continuação da obra criadora de Deus. De acordo com as disposições naturais, o casal deve enriquecer-se pela prole. Obviamente, sabemos que nem todos têm a graça de gerar seus filhos naturalmente, mas compreendemos a nobreza do casal que acolhem inocentes como filhos do coração.
Nenhum casal deve ser formado para a esterilidade, pois assim perde a maravilha de sê-lo. A continuidade da vida nasce da consciência de que o matrimônio é sinal da presença de Deus na vida do casal que gera filhos da carne e do coração. A educação destes também é fundamental.

A família cristã deve ser formada sempre nos laços inquebrantáveis do amor, ensinando desde pequenos aos filhos a maravilha de se amar, respeitar e promover a vida, que somos seres para conhecer, amar e servir a Deus conforme nossa vocação universal à santidade e nosso chamado específico aos mais diversos ministérios.

Mas, para tudo isso, é necessário que o casal esteja bem fortalecido na fé e nos valores fundamentais de sua missão. Um casal alquebrado e pouco interessado pela sua vida é, com toda certeza, inapto para a educação dos filhos, pois toda criança conta com a figura paterna e materna ao seu lado para uma formação inicial e fundamental. A primeira escola e a primeira igreja do ser humano é sua família!
A aventura familiar, tema do quinto capítulo, é algo que com certeza lhes interessa muito. Uma coisa é o namoro, o noivado. Outra é o casamento, o dia a dia dentro da mesma residência, a vivência das novas responsabilidades que surgem, a educação dos filhos que vão nascendo, como já vimos nos capítulos anteriores.

A palavra aventura foi utilizada justamente para explicitar os percalços que podem ocorrer na vida em família, na intimidade do casal e que devem ser superados.

Como fundamento da sociedade, uma nova família que surge traz em seu bojo vários universos. Digo isso por causa da formação inicial do homem e da mulher até se unirem em matrimônio, e depois estas diferenças refletidas na educação dos filhos. Por outro aspecto vemos como hoje as diferenças são alimentadas pelo forte espírito do individualismo que reina em nossa sociedade.

No entanto, os obstáculos não podem ser maiores que o amor que nos faz viver unidos, e que faz homem e mulher realizar o sacramento do matrimônio diante da comunidade de fé. O exemplo da Sagrada Família dado pelo Padre Caffarel é um sinal e também um objetivo para vocês: uma família deve ser construída com a união de duas mentes, com diferentes papéis, mas num único objetivo.

Os desafios da convivência seja um motivo de aperfeiçoamento da humanidade de vocês e da sua própria relação com o Senhor. Todos nós devemos na vida crescer na capacidade de se relacionar para assumirmos, com todo dinamismo, a missão do dia a dia. Não se esqueçam também que toda família deve carregar o bom exemplo das gerações que a precederam!

Com a centralidade na Eucaristia, a família deve também construir sua liturgia doméstica. Este é o tema do nosso sexto capítulo. Como grande dom de Deus, a família deve ter um tempo propício para se educar e amadurecer na fé, na Palavra de Deus, na “bíblia doméstica”, como se expressava o fundador das ENS.

Essa liturgia familiar se estabelece no bom desenvolvimento do cotidiano, não somente na hora da prece litúrgica. Animados pela Palavra e Eucaristia, toda a vida familiar deve ser reflexo do que se celebra desde o nascer até o pôr-do-sol. A “bíblia doméstica” é, portanto, aproveitar todas as situações como sinais da presença de Deus na vida e como ferramenta para crescermos em união com Ele e como família.

Em conseqüência de tal compreensão vocês conseguirão fazer da vida da família um contínuo sacrifício de louvor “por si e por todos os seus”, elevando ao Deus da Vida suas preces no altar eucarístico na comunhão das espécies sagradas. Isso será belo, pois descobriremos a singeleza de Deus na nossa própria humildade!

O sétimo capítulo trabalha a questão do casamento e da família que sofreram inúmeras transformações nestes últimos decênios. A vida a dois se inicia através da união de duas vidas particulares na cultura, na formação básica e também religiosa. Disso nascem os sobressaltos, que só são vencidos realmente com muito amor, paciência e diálogo, para que o casal possa maturar e educar com responsabilidade seus descendentes.

A paciência é uma palavra-chave para que tudo corra bem. Quando se assume o casamento assume-se a história e a limitação do cônjuge e não somente suas qualidades e dons, não é verdade? A família depende da união destas duas histórias para que no futuro novas famílias sejam bem constituídas e felizes, frutos do bom exemplo dos genitores.

No oitavo e último capítulo encerra-se a reflexão recordando-nos aquilo que é o matrimônio, o sacramento do amor. Como instituição mais antiga da humanidade, ele deve manter-se firme nos ideais e na formação da sociedade atual, mesmo, que por muitos modos, seja atacado e banalizado.

Lembremos que o casamento é sinal da graça comunicante de Deus com a humanidade tão sedenta de amor e felicidade. Ele é sinal seguro de que não nascemos para o isolamento, mas para a plena comunhão.

Olhando para o Cristo que se uniu à Igreja como Esposo com amor verdadeiro, lembremos que somos sinais do plano divino da salvação no Filho de Deus. Devem ser os casais ministros do amor de Deus para o nosso tempo e para nossas comunidades, sinais de Deus para aqueles que ainda não o conhecem.

Agradeço a oportunidade de fazer esse momento de partilha com vocês. Peço a vocês fidelidade um ao outro. Que este roteiro os ajude ainda mais na espiritualidade e na vida! Nossa Senhora os leve sempre mais a Jesus, nosso Senhor. Amém!

Pe. José Ailton Teixeira
SCER Região São Paulo Sul I


Paróquia São José – Diocese de Santo André – Mauá - SP