Pe. Henri Caffarel foi um enviado de Deus para os casais, para
ajudá-los na procura da santidade.
Viveu num momento histórico, quando renascia a reflexão sobre
a vida de Igreja e o sentido do matrimônio[1]. E teve contato pessoal
com pioneiros na renovação da pastoral familiar e juvenil.[2]
Desde logo, porém, apontou as características de sua teologia
do matrimônio, afirmando que a diferença sexual é estrutura
fundamental do ser humano, que o amor humano e o casamento têm lugar privilegiado
na história da salvação, e que a mística matrimonial
deve voltar-se mais para a vida do que para a moral.[3]
Pe. Caffarel, por gênio e formação, era pessoa mais prática
do que teórica, e sempre procurou respostas práticas para as necessidades
encontradas. Procurado por casais interessados em fazer do casamento um caminho
de perfeição cristã, não lhes ofereceu resposta,
mas convidou-os para que juntos a buscassem, à luz da oração
e da vida, num caminho gradual de muitas descobertas. Puderam entrever o amor
divino refletido no amor do casal que, vivido, é o sacramento do matrimônio.
Descobriram na caridade infusa a salvação e a sublimação
do amor matrimonial. Assumiram, sem ilusões, a sexualidade no seu pleno
sentido humano e cristão. Avançaram pelos caminhos da espiritualidade,
superando a espiritualidade individual para assumir a espiritualidade conjugal.
Assumiram alegremente a missão de difundir os valores do amor e do casamento.
A serviço dos casais, Caffarel pôs uma inteligência viva,
uma simpatia cativante e um estilo muito pessoal. Agora, porém, devo
apresentar sinteticamente sua mensagem para os casais equipistas do Brasil.
Foram eles privilegiados, podendo usufruir de um estreito e enriquecedor contato
com ele, através de três visitas e muita correspondência.
Vou destacar os pontos salientes de sua orientação para as equipes
do Brasil.
I - Os contatos de Caffarel com o Brasil
Os primeiros contatos
Tudo começou de modo inesperado, muito além dos planos de Caffarel,
para quem o Brasil certamente, bien là bas, pouco significava. Nos planos
de Deus, porém, do outro lado do Atlântico consolidava-se a cabeceira
de uma ponte: o casal Nancy e Pedro Moncau que, havia mais tempo, estava em
busca de um aprofundamento para seu matrimônio.
Em novembro de 1949, em S. Paulo, um grupo de casais ouvia uma palestra sobre
família. No final, o domicano Pe. Desmarais disse que tinha conhecido
na França os “Grupos de Casais do Pe. Henri Caffarel”. Logo
no dia 30 Pedro Moncau escreveu para Caffarel, pedindo-lhe informações
sobre sua proposta para a espiritualidade conjugal. Em dezembro Caffarel respondeu,
dizendo que os grupos de casais por ele orientados “têm o objetivo
essencial de ajudar os casais a tender para a santidade, nem mais nem menos”.
E providencia que se remeta para o Brasil a documentação básica
sobre a proposta. Deve ter logo depositado grande esperança em Pedro
e Nancy, porque escreve: “Se tiver tempo de tomar conhecimento desses
documentos e interessar-se por eles, ficarei pessoalmente muito feliz em conhecer
sua opinião. Não hesite em escrever-me e colocar-me a par de seu
modo de pensar. Não receio as contradições e desejo vivamente
receber sugestões úteis.”
A reação de Pedro foi imediata: “Era isso que eu há
tanto tempo procurava!”. Nancy e o grupo de casais não foram menos
entusiastas. Em 13 de maio de 1950 reuniu-se a primeira equipe do Brasil. Pedro
e Nancy foram eleitos como casal responsável pela equipe. Ao comunicar
o fato a Caffarel, são surpreendidos por ele: não serão
responsáveis apenas por essa equipe, mas pelo desenvolvimento das Equipes
de N. Senhora em todo o Brasil! Insistia, porém, Caffarel: “Permita-me,
entretanto, que o aconselhe a não iniciar senão com casais muito
desejosos de compreender as exigências de sua fé e de vivê-las
melhor. Vale mais ter menos equipes em uma região, mas que elas sejam
portadoras de uma imagem muito pura.”
As visitas ao Brasil
Por três vezes Pe. Caffarel visitou o Brasil. Basta ler os testemunhos
de D. Nancy e de muitos outros para perceber o impacto causado por sua presença
e por suas palavras.
Primeira visita, de 5 a 9 de julho de 1957
Havia dez equipes em S. Paulo e três no interior. Dias 6 e 7 houve reuniões
de estudo e espiritualidade com um número bem reduzido de casais. O que
talvez tenha decepcionado Caffarel um pouco. O dia 8 foi dedicado a encontros
com os dirigentes de então. Destaco um toque de previsão nas palavras
sobre a organização que deveriam providenciar: “Organizem
a Equipe de Setor não para as necessidades de hoje, mas prevendo um número
três a quatro vezes maior de equipes.”[4]
Depois dessa visita, Caffarel escreveu ao casal Nancy e Pedro: “É
quase inacreditável verificar que, através dos oceanos e sem contato
com o Centro, vocês apreenderam tão perfeitamente o espírito
das Equipes e tenham realizado equipes tão autenticamente Equipes de
N. Senhora. Quantas vezes, depois de minha volta de S. Paulo, depois de minha
volta da América, bendisse o Senhor por isso!” (1-10-1957)
A visita trouxe novo ânimo para o Movimento. Nos seis meses seguintes
surgiram oito equipes em S. Paulo e três nos outros estados, e depertou-se
um comprometimento maior com os serviços a serem prestados à Igreja.
Surgiram os “Círculos Familiares”, que ofereciam dois anos
de conscientização para casais não equipistas, e “Cursos
de Preparação para o Casamento”. Tanto que, na organização
do Movimento no Brasil, se criou um departamento especial de “Ação
Apostólica”.
Segunda visita, outubro-novembro de 1962
De 1º a 4 de novembro, houve em Valinhos SP uma sessão de formação
para quarenta casais que exerciam responsabilidades maiores no Movimento. Essa
“Formação de dirigentes” foi de importância
fundamental para o futuro, tendo repercussão imediata nas equipes de
base.
Conforme o testemunho de Pedro e Nancy, além das palestras e reuniões
públicas, houve reuniões reservadas aos dirigentes que acabaram
sendo decisivas para a caminhada das ENS. Caffarel percebeu nas equipes sintomas
de fadiga e apatia. Com os dirigentes brasileiros fez-se um diagnóstico
e procuram-se soluções.
Terceira visita, setembro de 1972
As equipes no Brasil já eram 350. Foram duas semanas de presença
que, segundo testemunho de Nancy Moncau, foram marcantes e de influência
duradoura na vida das equipes brasileiras. Houve suas Sessões de Formação,
uma em Itaici (110 casais) e outra em Florianópolis (50 casais), e três
Encontros Gerais com Equipistas em S. Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro.
II - Os pontos fortes de sua mensagem aos casais do Brasil
1. As ENS e as exigências do apostolado no Brasil
Logo na primeira visita ao Brasil, 1957, Caffarel precisou orientar as Equipes
cada vez mais solicitadas pelas necessidades do apostolado leigo no Brasil,
principalmente na pastoral voltada para os casais e as famílias.
Conforme o testemunho de Pedro Moncau, Caffarel aceita em princípio a
hipótese de as Equipes de Nossa Senhora no Brasil deverem ter um apostolado
familiar organizado. Considera assim que as Equipes de N. Senhora têm
dois setores: um de espiritualidade, outro de ação. (...) Mas
é preciso nunca esquecer que as Equipes de N. Senhora não são
um movimento de ação, mas sim de aprofundamento. As Equipes formam
cristãos integrais e, portanto, apóstolos”[5]
Essa decisão levou na época à criação de
um Departamento de Ação Apostólica, com cursos de preparação
para o casamento e os Círculos Familiares.[6]
2. As equipes são pequenas comunidades-igreja
As Equipes são e devem ser verdadeiras comunidades-igreja; nisso está
sua força. Esse o tema desenvolvido numa palestra intitulada “Ecclesía”,
que ainda hoje deve ser objeto de estudo e meditação. Antes de
muitos, Caffarel afirmou: “Num país como o Brasil o grande problema
não é tanto converter os católicos, mas formar comunidades
vivas e atuantes.”[7]
Na terceira visita, em 1972, voltou ao tema: “Creio mesmo que todos os
problemas atuais de "primavera renovada" da Igreja sejam resolvidos
pela tentativa de suscitar em toda parte pequenas igreja (ecclesias), à
imagem da primeira equipe reunida em torno de Cristo, formada por Ele e transformada
pelo Pentecostes. A Igreja, nossa grande, nossa querida, nossa bem amada Igreja
Católica só será salva na medida em que as massas amorfas
de cristãos constituírem equipes coerentes, ao redor do Cristo,
animadas pelo Espírito de Cristo. Essa é a missão das Equipes
de Nossa Senhora na Igreja de hoje.”[8]
3. A responsabilidade das ENS pelo Brasil
É um ponto em que insiste já em sua primeira visita: As ENS precisam
ter consciência de sua importância para o Brasil. É preciso
manter fidelidade à proposta inicial, e fazer lento trabalho de expansão.
Afirmava: “Eu vos conclamo a empreender e levar adiante uma ação
sistemática e organizada: fundar uma equipe em todos os pontos principais
do Brasil, lançar sobre vossa Pátria uma imensa rede da qual as
equipes sejam os nós.”[9]
É preciso formar equipes que sejam celeiros de apóstolos, sempre
a serviço da Igreja, sempre obedientes e capazes de pensar os problemas.
Nunca deixar que a ação impeça a formação
(oração e estudo), porque senão a ação nos
perderá.
Em mensagem posterior, para o Eacre de janeiro de 1958 ele insiste: “Meu
conselho é o mesmo: máximo de mística e máximo de
disciplina.” “O Brasil precisa de santos. É preciso que cada
um de vocês, a cada dia, procure a perfeição cristã
para a qual Cristo nos convidou... É preciso que vocês se ajudem
mutuamente a tender para essa perfeição”.
Conforme D. Nancy, essas palavras despertaram grande espírito missionário
nas ENS. A partir daí começou a grande expansão do movimento
no Brasil. Em 1957 havia 13 equipes no Brasil. Em outubro-novembro de 1962 já
eram 167.
Depois da visita, em dezembro escreveu aos dirigentes: “As notícias
que recebo do Brasil, depois de minha partida, causam-me muita alegria. O aumento
numérico de suas equipes prova bem a sua irradiação.
E no princípio deste novo ano peço ao Senhor nas minhas orações,
não somente que suas equipes se multipliquem, mas que sua vida interior
cresça dia a dia.”[10]
4. Sinais de cansaço e apatia
Na segunda visita, em 1962, Caffarel detecta sinais de cansaço e apatia
nas equipes brasileiras. Em reunião com os dirigentes locais, procura
fazer um diagnóstico.[11]
Levantaram-se diversas causas:
1) Formação religiosa insuficiente de muitos casais, que não
lhes permite avançar conforme as propostas do movimento. 2)Falta de Casais
Ligação eficientes, falta de formação para as responsabilidades.
3) Falha no início de novas equipes, falta de espiritualidade, falha
dos Casais Pilotos. 4) Situação social e econômica, exigindo
trabalho exaustivo dos casais.
Caffarel aceita apenas uma explicação: equipes mal formadas, admissão
de casais imaturos para a proposta equipista, com motivação puramente
humana. E insiste: Há um só motivo válido para entrar nas
equipes: a procura de Deus, para mais conhecê-lo e mais bem servi-lo”.[12]
Não se deixou comover pelas considerações apresentadas:
- Condições especiais do cristianismo no Brasil
- Sucesso das equipes na conversão de muitos casais.
- Número limitado de casais capazes de assumir plenamente a proposta
equipista.
- Não se pode fechar as equipes para tantos casais que poderiam ser conquistados
para Cristo.
Sua resposta foi taxativa: Esses casais imaturos sejam cultivados
em iniciativas paralelas às equipes, durante um ano ou ano e meio, para
que possam assumir um cristianismo adulto. Mesmo que isso signifique perda de
várias equipes e o afastamento de muitos casais. Insistiu: “A vida
do movimento no Brasil depende disso.” “Mais valem 500 equipes fortes
do que 5000 medíocres”, como tinha escrito em carta de 1957 ao
Pe. Corbeil.[13]
5. As ENS Movimento missionário e não de conservação
A Igreja tinha passado pelo Concílio Vaticano II, que a marcara profundamente.
As equipes não poderiam deixar de ser também afetadas e provocadas.
Caffarel tinha sido consultor da Comissão para o Apostolado dos Leigos,
na preparação do Concílio. Promoveu entre os sete mil casais
equipistas de então uma pesquisa: “O que o povo fiel espera do
próximo Concílio, no campo do matrimônio?” Houve seis
mil respostas, publicadas e enviadas a todos os bispos e ao Vaticano. Ainda
mais, tinha acontecido também a Assembleia Episcopal Latino-americanan
de Medellin.
As equipes perguntavam-se, também no Brasil, como deveriam corresponder
aos novos impulsos do Espírito. Houve uma reunião de reflexão,
convocada pela Ecir,[14] que apontou alguns pontos que deveriam ser enfrentados:
falta alguma coisa para sustentar o avanço das equipes depois dos primeiros
anos; falta de abertura para fora e de fecundidade espiritual; a direção
do Movimento tem pouco contato com as bases, o que gera falta de iniciativas
e consequente desinteresse; é a hora da palavra e mais ainda da ação
apostólica.[15]
Numa segunda reunião formou-se uma equipe para estudar todo o assunto,
equipe que promoveu uma pesquisa entre os casais e conselheiros. Esse material
foi depois encaminhado ao Encontro Anual de Responsáveis Regionais e
de Setor e Coordenação em Abril de 1969. Dessa reunião
participaram um casal francês do Centro Diretor Internacional e o Pe.
Tandonet (que iria suceder ao Pe. Caffarel). Foi nesse contexto que se deu a
terceira visita do Pe. Caffarel em setembro de 1972. Não poderia deixar
de procurar respostas para as inquietações vividas pelo Movimento
no Brasil.
Segundo ele, a resposta estava na linha de fidelidade à inspiração
original das equipes, e num esforço para corresponder às necessidades
e oportunidades da nova realidade vivida pela Igreja. Quanto a isso, insistiu
que “as equipes não podem ser apenas um Movimento conservador da
fé: é preciso que sejam fermento. Não basta possuir o ensinamento
do Mestre, é preciso possuir o Espírito de Cristo, o mesmo Espírito
Santo que, no Pentecostes, transformou tímidos seguidores em testemunhas
ardorosas do Senhor.”[16]
Nesse contexto, em que se fala de comprometimento missionário, de abertura
dos equipistas para a ação apostólica, gostaria de lembrar
a observação feita por Marcel Delpont, acompanhante de Caffarel.
Pergunto-me até se não a teria feito incitado por ele. Depont
faz primeiro um elogio: parabéns pela abertura para meios culturais mais
modestos e para casais jovens, o que favorecerá a renovação
dos quadros. Depois faz uma pergunta incômoda: “Que é feito
dos “Círculos familiares”, iniciativa de apostolado familiar
que tinha dado tantos frutos? Tanto mais que, depois da visita anterior, essa
nova forma de apostolado familiar sido apresentada como exemplo para as equipes
da Europa... (Se me perdoam, aqui faço um parêntesis para repetir
agora a mesma pergunta: “Que é feito dos “Círculos
Familiares”?)
6. Não desanimar os fracos
Ao mesmo tempo que se mostrava exigente na cobrança da fidelidade ao
carisma, Caffarel insistia que se tivesse cuidado para não desanimar
os casais que abraçam sinceramente o Movimento, mas ainda não
conseguem praticar plenamente sua propostas. Conselho que não pode ser
esquecido. Como também não se deve esquecer o que disse na mesma
ocasião: Atenção para com os que não abraçam
as propostas do movimento, mas têm até objeções contra,
ou não querem progredir.
7. Espiritualidade conjugal
Depois de insistir que a famílias equipistas devem ser fontes de vocações
sacerdotais, que se deve cuidar sempre da formação, e que a proposta
das equipes não é apenas a prática do mínimo exigido
pela moral, Caffarel toca num ponto central: “Não estou certo de
que os equipistas tenham bem compreendido o que significa espiritualidade conjugal.
Há grande preocupação de vida espiritual, marido e
mulher individualmente. Mas a espiritualidade conjugal é mais do que
duas espiritualidades individuais vividas lado a lado. Há um mistério
do casal que é preciso aprofundar. É fonte de graças.”
[17]
8. As ENS do Brasil e o futuro
Depois de deixar a espiritualidade conjugal como o grande e final desafio às
equipes do Brasil, Caffarel diz o que encontrou aqui e o que espera para o futuro:
“Muita coisa vi, muita coisa aprendi e parto acreditando cada vez
mais na missão das Equipes de Nossa Senhora no Brasil".[18]
III - A dívida dos casais equipistas brasileiros com Caffarel
A dívida dos casais equipistas brasileiros para com o Pe. Caffarel ficou
mais que evidente no que se disse até aqui. Ele não lhes demonstrou
apenas carinho e consideração. Ofereceu-lhes uma proposta-resposta
para sua vida, e confiou-lhes um tesouro valioso de espiritualidade que devem
fazer frutificar.
As ENS do Brasil formam o maior contingente no mundo: não é preciso
salientar a responsabilidade daí resultante. Têm elas de corresponder
ao dom de Deus e às expectativas do Movimento. Devem resgatar a dívida
com Caffarel dando toda a contribuição que lhes for possível
para o crescimento da mística das ENS.
Não podem os equipistas do Brasil esquecer o que lhes disse em setembro
de 1972, num quase testamento: “Não posso, absolutamente, contentar-me
em transmitir-lhes idéias prontas. As Equipes de Nossa Senhora devem
ser continuamente reinventadas, e por isso é preciso que nestes três
dias, nós reflitamos juntos. Não vou enunciar dogmas, vou propor
temas para reflexão, o que é muito diferente. (...) Há
uma grande crise na Igreja. Não devemos ser um movimento conservador,
que mantém a fé na Igreja; temos de ser um fermento de renovação,
se não de revolução espiritual. Se as Equipes de Nossa
Senhora, depois do Concílio, não forem fermento de renovação
na Igreja, serão postas de lado, para dar lugar a novos movimentos mais
ousadamente revolucionários e capazes de trabalhar pelo "aggiornamento"
da Igreja. (...) Essa é a questão que eu levanto. E estou certo
que nem eu nem vocês podemos aceitar a idéia que as Equipes de
Nossa Senhora só foram úteis durante um quarto de século.
Nós queremos que elas sejam úteis para os séculos futuros,
mas isso supõe que elas sejam repensadas em função dessa
Igreja que precisa delas mais do que nunca.”[19]
[1] M. J. Scheeben
(1835-1888): Os mistérios do cristianismo. Dietrich von Hildebrand (1889-1977):
O matrimônio, o mistério do amor fiel. A. Christian: Ce sacrement
est grand. Témoignage d'un foyer chrétien. (1938). Ambroise-Marie
Robert Carré op (1908-2004): Compangnons d’éternité.
Pierre Dupouey: Lettres et essais.
[2] Ambroise-Marie Robert Carré op, Paulo Doncoeur sj, Jean Viollet
[3] Jean Allemand: Henri Caffarel, Um homem arrebatado por Deus, Ed. Das Equipes,
p. 36-37.
[4] Nancy Cajado Moncau, O sentido de uma vida, Ed. Loyola, 1986, p. 137.
[5] Pedro Moncau, in Nancy Cajado Moncau, O sentido de uma vida, Ed. Loyola,
1986, p. 136.
[6] Nancy Cajado Moncau, Equipes de Nossa Senhora no Brasil, Ensaio sobre seu
histórico, S. Paulo, 2000, p. 56-57.
[7] O. c. p. 56
[8] O. c. p. 274. E continuava: “Vamos ver agora as pequenas igrejas,
que são as equipes de Nossa Senhora. Temos a certeza de que não
são uma reunião qualquer mas uma ecclesia, porque Jesus Cristo
disse: "Se dois de vós se reunirem sobre a Terra para pedir, seja
o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus.
Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí
estou eu no meio deles"(Mt 18,19).
O problema é esse. Será que nossa Equipe de Nossa Senhora é
uma ecclesia, unida em torno de Cristo, que chama, que ensina, que forma e que
sopra seu Espírito sobre cada um dos membros da equipe, ou é um
mero círculo de estudos ou uma reunião de amigos?
Não insisto mais porque estou justamente querendo propor à vossa
reflexão este ponto! Que deveremos fazer de nossa equipe para que
ela se pareça mais com a equipe que Jesus reuniu em torno dele, que ele
formou e transformou no dia de Pentecostes?
Olhando por todo o mundo, penso que uma minoria das equipes são reuniões
e não pequenas ecclesias. Creio que, na grande maioria, as equipes são
ecclesias, isto é, estão reunidas em redor de Cristo como os apóstolos
antes da Ascensão, mas não são ecclesias de depois de Pentecostes,
habitadas pelo Espírito Santo.”
[9] O. c. p. 57
[10] Nancy Cajado Moncau, O sentido de uma vida, Ed. Loyola, 1986, p. 140-141.
E continuava: “
Meu conselho é o mesmo: máximo de mística e máximo
de disciplina. É preciso a todo o preço que elas sejam esta sementeira
onde o Senhor encontrará aqueles homens e mulheres que darão testemunho
de Cristo entre seus irmãos, nos postos mais humildes, como nos mais
elevados. Mas isto só acontecerá se as equipes forem verdadeiramente
escolas de vida cristã, cenáculos onde os apóstolos de
Cristo venham abrir seus coracões ao Espírito de Deus. O Brasil
necessita de santos. É preciso que cada um de vocês, a cada dia,
procure a perfeição cristã para a qual Cristo nos
convidou, quando nos disse: "Sede perfeitos como vosso Pai celeste é
perfeito". É preciso que vocês se ajudem mutuamente a tender
para essa perfeição. Escrevendo isso, penso no Monumento aos Bandeirantes,
que exprime tão bem a tensão vigorosa, tenaz, paciente, encarniçada,
para um fim que se quer atingir a todo o custo. .. Como ele, sejam bandeirantes
espirituais, tendam com todas as suas forças para a perfeição
cristã e sintam-se responsáveis pela construção
no Brasil, de uma Igreja forte e irradiante, para enfrentar um futuro que se
anuncia, ao mesmo tempo, cheio de ameaças e de esperanças...”
[11] Nancy Cajado Moncau, Equipes de Nossa Senhora no Brasil, p. 81
[12] O. c. p. 82
[13] O. c. p. 82
[14] O. c. p. 104: “Em 7 de outubro de 1968 a ECIR, participando do clima
reinante, envia aos Casais Responsáveis dos quatro setores de São
Paulo, ao Casal Regional da Capital e ao do Rio de Janeiro, que vinha a São
Paulo com freqüência, uma carta com os seguintes dizeres:
"Profundamente preocupada com a estagnação que se-registra
em certas equipes, o desânimo que af1ige determinados equipistas e as
crises que atingem um ou outro Setor depois de vários anos de entusiasmo
e progresso.
Preocupada também com a conseqüente perda de vitalidade que isto
representa para o Movimento e o empobrecimento decorrente para o mesmo
das numerosas defecções entre os seus melhores elementos, tanto
no Brasil como em outros países.
Sentindo ao mesmo tempo a necessidade urgente de examinar o lugar e a responsabilidade
do Movimento na Igreja e no mundo de hoje, face ao 'aggiornamento' pós-conciliar,
face também à evolução acelerada do mundo e às
regras que regem a vida dos organismos.
[15] O.c. p. 105
[16] O. c. p. 116
[17] O. c. p. 124
[18] O. c. p. 124.
[19] Nancy Cajado Moncau,
o.c. p. 265-266