As Equipes a serviço do matrimonio.

Frequentemente participamos à celebração de um matrimonio. O homem e a mulher estão ajoelhados em frente ao sacerdote, com as testemunhas aos lados e os parentes distribuídos nos primeiros bancos. Algumas vezes passa pela cabeça uma pergunta: o que eles estão pensando? Porque decidiram de casar? As respostas podem parecer obvias. Nos perguntam porque casamos? É simples: porque nos amamos e como vimos que juntos estamos bem, decidimos continuar a viver juntos. O que esperamos do matrimonio? Muitas coisas, mas todas normais: uma vida serena, alegre, sem medo, sem insegurança, sem tédio, e, sobretudo sem solidão. Quais são os instrumentos que nos damos? Aqueles de todos: uma casa acolhedora, um trabalho seguro, um bom entendimento entre nós e com as nossas famílias, e outras poucas coisas. Do resto – dizem- a natureza deve providenciar. Será a vida quem fará nascer no momento certo as interrogantes oportunas e a sugerir-nos as soluções. A natureza é uma ótima mestre. Podemos ver isso em tantos casos. Por exemplo: quando si é namorados não se pensa em filhos, se fala pouco. Mas quando o filho chega, logo entendemos como temos que nos comportar e quais modificações precisamos fazer na nossa vida para responder às suas necessidades. Nos deixaremos guiar pela própria vida, sem nos perder em tantas discussões inúteis.

VOZ DA NATUREZA


Tudo isso é verdade. Mas somente em parte. O homem com sua razão escuta e interpreta as vozes que sobem da natureza. Mas logo percebe que as indicações dadas pela natureza não são fáceis de colocar na pratica. Existe todo um trabalho que precisa ser feito sobre si mesmo e sobre o outro para que a relação de amor não se apague nas paludes da quotidianidade e da rotina. Corre-se o perigo de empantanar-se e não mais sair. Amar é a experiência mas desejada, mas também a mais difícil de realizar. Com frequência cai-se na ilusão de que o amor seja como o namoro , onde tudo é fácil, luminoso, alegre, espontâneo. A vida logo faz tocar com as mãos que o amor requer uma construção diária, com o empenho de ambos. Frequentemente as forças humanas não são suficientes. Por isso muitos acabam pensando que seja verdade o que diz Pitigrilli: "também no amor se nasce incendiários e morre-se bombeiros". Começa-se com muitos sonhos e esperanças, mas a vida aos poucos obriga a recolher os remos na barca, a colocar os sonhos na gaveta e de enamorados torna-se resignados. Aliás, hoje nem se resigna mais, e se torna separados.
O cristão não se resigna. A sua fé lhe permite de interrogar a Deus e de esperar dele uma resposta que seja ao mesmo tempo uma solução. Deus não dá pra trás. No livro que contem sua Palavra responde a estas interrogantes angustiantes. Diz coisas que homem nenhum conhece, porque precedem o tempo da história; perdem-se na noite dos tempos em lugares aonde o olhar do homem não consegue chegar. Por isso o homem não pode gravá-las e transmiti-las em seus livros. Mas mesmo que não estejam escritas no papel ou na pedra, o homem as encontra escritas misteriosamente em sua vida. Sente que não é capaz de viver o amor para sempre, mantendo-o na sua fresca vitalidade e na sua alegre espontaneidade. Sabe por experiência pessoal e pela experiência da humanidade que o amor fácil não mais existe. E é inútil iludir-se de realizá-lo na sua vida de casal. É verdade que cada casal se considera diferente. Alias, privilegiado com relação a todos os outros e tem certeza que o seu amor nunca vai acabar. Mas logo a vida há de se encarregar de fazê-lo experimentar que também o seu amor esta exposto continuamente ao perigo de acabar. Daqui a pergunta: “por que Senhor colocas-te no nosso coração a necessidade pungente de amor, e nos ofereces uma pequena amostra no enamoramento, mas logo tudo recai na monotonia de uma vida arrastada com cansaço, com um amor redimensionado que tem pouco daquele amor que se sonhava no enamoramento?”

A VOZ DE DEUS


Os homens buscam uma resposta para esta pergunta e encontram de certo modo uma resposta. Mas é sempre parcial e não atinge o nó da questão. Só Deus pode explicar este mistério.
Pede ao homem um esforço: o de ver sua vida mergulhada não só na dimensão histórica, mas de vê-la inserida em um mundo que transcende o da história

O homem, antes mesmo de viver no cosmos, numa história, vive no mundo de Deus. Deus nos pensou e nos amou desde toda a eternidade, e depois nos deu a existência no tempo que é nosso. As nossas raízes são em Deus. Carregamos o seu DNA na nossa natureza. Só partindo deste “principio” que está por fora do tempo podemos entender porque o amor tornou-se difícil, e é uma experiência que hoje não cumpre o que promete.
Deus conta que criou o homem para expandir a sua felicidade em criaturas feitas à sua imagem. E como Deus e amor, participando sua vida à criatura fez um ser estruturado como amor. A vida do homem é amor passivo (desejo de ser amado) e amor ativo (desejo de amar). Esta era a sua vocação, mas o homem afastou-se dessa fonte de amor, tornou-se árido e o amor nele apagou-se. Aconteceu o que acontece com um riacho que se separa da nascente. Seca e morre.

Para não deixar sua criatura sem amor, ou seja sem vida, construiu uma estrada para reencontrar o amor. E construiu-a com sua vida, mostrando em modo visível o que quer dizer amar. O homem recupera e reencontra o amor passando pela mesma estrada recorrida por Cristo. Não é uma vida fácil: parte-se do amor saboreado e apreciado no enamoramento. Mas deve-se chegar à convicção de que a alegria do amar e ser amado passa através do empenho de dar a vida pela pessoa amada. Como fez Cristo. “Ninguém ama o amigo assim como aquele que a sua vida por ele”. Nessa perspectiva o amor e o matrimonio não são só uma simples resposta a instancias que nascem da natureza, mas tornam-se uma vocação.

O MATRIMONIO COMO VOCAÇÃO


É uma novidade. Até ontem se usava este termo só para a vida religiosa ou para a vida sacerdotal. Hoje, no entanto, ele é aplicado também para a vida matrimonial. Não se trata só da simples transposição de uma palavra do mundo dos consagrados ao mundo dos casados. Dizer que o matrimonio é uma vocação comporta uma concepção nova da vida matrimonial. Entra-se no matrimonio porque se é chamados por alguém para desenvolver uma missão. Chamados por quem? Para o que?
Quem chama é Deus. Não certamente como um pai chama em alta voz o seu filho. Mas chama através das vozes da natureza, fazendo com que um se enamore do outro. Serve-se da voz do amor. Não um amor qualquer, mas um amor semelhante ao seu, fiel, indissolúvel, fecundo, salvífico. Um amor que não se limita ao prazer de sentir-se amados, mas que se ativa para levar vida e salvação para a pessoa amada. Como?
Em primeiro lugar criando com o cônjuge a casa dos afetos. Não se trata da casa material, aquela de tijolos, bem arrumada e dotada de todos os confortos, mas da casa dos afetos. É aqui que encontraram a alegria do viver juntos. É uma casa que precisa ser cuidada todos os dias, reparada quando apresenta rachaduras, defendida da usura do tempo, tornada agradável pelo amor que move cada um a cuidar do outro.
No interior da casa dos afetos os esposos empenham-se no trabalho difícil e delicado de construir pessoas. Existem edifícios nos quais se fazem coisas; o matrimonio, no entanto é a casa equipada para construir pessoas. Sobretudo as pessoas do homem e a mulher que se empenham no matrimonio, depois a vida dos filhos, e ainda, a vida dos parentes e de todos aqueles que tem conato com os esposos. O amor tem o poder extraordinário de irradiar vida ao seu redor. É somo uma energia que tem o poder de irradiar-se na vida de todos aqueles que entram no raio de ação dessa energia.

AMAR COMO CRISTO AMA


Mas com uma precisa condição: que o amor que circula na casa dos esposos seja um amor modelado naquele de Cristo: "Maridos, amem suas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para torná-la santa, purificando-a com o banho da água através da palavra, e para apresentar a si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef. 5, 25).

A perícope é breve, mas cheia de grandes significados. Citamos alguns mais imediatos. 5Os fieis de cristo vivem o matrimonio como uma vocação na qual circula o próprio amor de Deus; uma vocação finalizada ao encontro com Deus. O homem e a mulher se amam e casam para gozar da riqueza da vida que cada um traz nessa relação, mas ao mesmo tempo carregam no seu amor Deus mesmo que os sustenta com sua graça e os torna capazes de realizar um amor fiel, criativo, capaz de levar para a vida da pessoa amada não somente a riqueza da própria vida, mas a riqueza da própria vida de Deus. Cada um dos dois torna-se para o outro força, sustento, segurança, instrumento vivo através do qual Deus faz passar o seu amor e sua vida. Não somente isto: amando-se com esse amor tornam-se testemunhas convincentes de que o amor - no dizer de Paolo VI - “é mais que o amor”, isto é, carrega em si valores de vida que transcendem aqueles que normalmente os homens vêem no amor.
Os fieis de Cristo crêem no amor, mesmo quando a atual cultura parece negar a possibilidade de amar sempre. Esta certeza parte do fato que o próprio Cristo se empenha em viver com os esposos a sua vida, apos tê-los chamado à missão de ser vida um para o outro, juntos para os filhos e para a sociedade inteira. Mas, sobretudo estão seguros de que o seu amor se abre para o mundo de Deus, no qual estão destinados a entrar e onde se empenham a dirigir-se. A casa do amor do cristão tem a porta aberta para a estrada em que vive com todos os demais homens, mas tem as janelas abertas para o céu, ao qual se empenham em chegar, segurando-se pela mão entre eles e com Cristo.


As Equipes de Nossa Senhora a serviço do amor.


Lembro de uma velha canção italiana que dizia: "Parlami d'amore,Mariù... tutta la mia vita sei tu...". Parece-me de ouvir ainda a voz chiante do rádio que transmitia a canção e as minhas irmãs que faziam calar a todos porque queriam escutá-la... Mas o romantismo passou de moda; contar coisas com saudade entedia; os idosos não são ouvidos e aquelas que eram as lembranças e as usanças de um tempo vão se perdendo. Ate o falar de amor transformou-se; parece que não seja mais aquele amor que traz felicidade; frequentemente se tem a sensação de que o amor do qual se fala nos dias de hoje, seja só sinônimo de sexo.

QUAIS SÃO OS INTERESSES DOS JOVENS?


Os jovens propendem aos contatos diretos, querem chegar logo nos “finalmente”; “assim e possível se conhecer melhor”, é a desculpa que se ouve, falando de certos temas. Mas quando não tem outra coisa a ser descoberta o que fica? Tem-se a sensação de que entre os jovens se instauram diálogos não fundados em projetos concretos, úteis para um futuro próximo; frequentemente os objetivos são viagens, noitadas na discoteca e roupas de marca. Quando, alguma vez, conseguem enfrentar diálogos mais sérios, logo se descobrem em contradição e estas divergências, alguém ama levá-las ‘nas praças”, nos vários talk show espetaculares, durante os quais confrontam-se entre lagrimas, generosos só de acusas, hábeis para descarregar sentimentos de culpa e para manifestar remorso, para depois ter retornos fogosos improvisos, entre “grandes e pequenos irmãos” que fazem sensação sobretudo para filmes eróticos, transformando todos os tele-espectadores em voyeurs, guardoni, para dizer isso à italiana.

"DEIXA-SE VIVER” MAIS DO QUE “VIVE-SE”


Tenho a impressão de que todos aqueles que amam estes espetáculos sejam pessoas que não sabem como “viver”; não tem hobby, não tem interesses, não são capazes de mergulhar na verdadeira vida, se “deixam viver” ao em vez de “viver”. Quando estimulados bufam, ou beiram a crise existencial, porque são incapazes de colocar-se em discussão. Estas exibições contínuas de corpos e de amores superficiais, consumados e queimados em pouco tempo, me deixam perplexo e, deixem-me dizer, um pouco angustiado. Mia mãe teria dito: “Perbacco! Un po' di buon gusto!"/Por Deus! Um pouco de bom gosto! . Seria suficiente olhar as revistas italianas daquele período..
Quando estes pensamentos me cercam, procuro distrair-me deixando voar a saudade.. que belo quando a gente se segurava pelas mãos e as amigas confiavam umas as outras que temiam a gravidez, só por causa daquele contato; ou quando se dava o primeiro beijo e se mantinham os lábios lacrados, com o coração que parecia pular fora do peito. E quando se conseguia a autorização para sair, com horários preestabelecidos para retornar e depois ouviam-se os sinos marcando as horas, justo quando se estava de mãos dadas!
Grandes diferenças existem hoje entre duas gerações apenas; barreiras insuperáveis? Quem vai sofrer as conseqüências? Talvez a geração mais velha, porque não vai conseguir ver os resultados de todos os esforços para tentar transmitir os valores morais mais importantes? Ou quem sabe será a nova geração que sofra, ainda mais, por não ter ouvido e por encontrar-se depois em um terreno queimado e sem nenhum interesse?

"TUDO E LOGO" NÃO É UMA BOA FILOSOFIA


Tal vez dependa dos pontos de vista, ou quem sabe da capacidade de saber aceitar ou não as mudanças, mas fundamentalmente estas minhas reflexões querem ser uma forma de proteção, de anuncio em relação a tantos jovens que se “consumem” sem ter vivido e que se perdem nos meandros do que não é natural e nem sadio até para o próprio corpo, além de sê-lo para o espírito, excluindo assim, a possibilidade de continuar uma vida serena e fecunda. Querem recolher a proposta do Pe. Caffarel ao mundo de hoje.
Para que serve então querer obter tudo e logo? Por que não se limitar a aceitar dia após dia as pequenas alegrias que desabrocham, frutificam e amadurecem?
O amor, uma vez, era procurado com garbo; não existiam modelos para definir a beleza dos outros e era valido o ditado: “ não é belo o que é belo, mas é belo o que agrada”.
Que diferença hoje em dia! As moças são estimuladas a ser sempre mais vulgares, a não privar-se de nada e a “descobrir-se” sempre mais, deixando à mostra cada parte do corpo e sem aqueles mistérios que eram o fascínio das mulheres. Resulta-me difícil compreender o porquê da exigência de “retocar-se” continuamente para esconder os anos: silicone, botox, tintas, e tantas tramóias para poder ouvir: “ Você parece mais jovem!

ARRASTADOS PELA CONFUSSÃO MEDIÁTICA DIFICILMENTE PODE-SE ENTENDER O AMOR


Não tem mais tempo para olhares apaixonados, precisa entender logo com quem estou lidando, “ assim, se não me interessa, logo caio fora”. E em tudo isso pergunto-me aonde está o amor (amore), aquele com A maiúscula, que rima com “coração” (cuore), aquele que te deixa ansioso e envergonhado, aquele que faz sentir um buraco na barriga esperando o prazer.
A Internet ajuda os jovens a dialogar de modos novos, não tendo efetivamente um contato direto, mas um intercambio denso de e-mail, nos quais se examinam rapidamente, e em tempo real, todos os conceitos de amor, sexo e muitas outras coisas, virtualmente. O contato físico faz parte de um outro tipo de relacionamento que pode vir depois e sem excluir o outro, compensando-o, às vezes. Nesse ponto não serve mais dizer alguma coisa e “falar de amor” é inútil.
E os jovens conhecem muito bem o PC, navegam na Internet, criam as páginas Web e estão todos inscritos no Facebook, compram e vendem com e-bay, sabem manejar as post-pay e tem familiaridade com os link para fazer os download daquilo que desperta o interesse deles.
Este mundo novo, completamente ilusório, esta invadindo as mentes de muitos adolescentes, confundindo-os sempre mais sobre violência, amor, afeto, compreensão. O amor, aquele sadio, não é considerado e, frequentemente, entre os "branchi" surgem competições para emular, ser protagonistas com o desejo de emergir e de oferecer espetáculo.
Os celulares complicaram ainda mais esta absurda existência que se move através do éter e nos trilhos da super-velocidade, como sobre uma lâmina afiada.

A intuição do Pe. Caffarel


É útil traçar alguns aspectos essenciais do que o Pe. Caffarel deu às equipes, com os ensinamentos e os numerosos escritos sobre a criação, a expansão e a animação do movimento. Ele mesmo, voltando no passado, tratava de tirar lições para o futuro. È isto que vou tentar fazer com esta intervenção.
Devendo escolher, tenho presentes quatro pontos essenciais nos quais precisamos continuar refletindo, se quisermos, contemporaneamente ser fieis ao carisma fundador das equipes e fazê-lo viver em contextos frequentemente diversos daqueles vividos pela primeira geração. Lembremos que em Chantilly, no ano 1987, quatorze anos depois de ter deixado a direção das equipes, Pe. Caffarel fazia uma reflexão impressionante sobre o carisma fundacional, e com grande lucidez, fazia um balanço contrastante. Ele deixava o encargo de orientar o futuro do movimento, entregue à criatividade daqueles que teriam continuado a caminhada.

A espiritualidade do casal (de uma conferencia do Pe. Fleischmann)

Por volta do ano 1940, poucos movimentos cristãos faziam referencia aos casais como tal. Os conselhos evangélicos propostos na Igreja eram orientados separadamente ou para os homens ou para as mulheres e nunca feitos em comum! Partindo da pergunta de algum casal jovem, e com a sua ativa participação, Pe. Caffarel construirá as bases para uma espiritualidade dos casais.
A espiritualidade era correntemente considerada como a especialidade dos religiosos, célibes, enquanto o matrimonio era mais ou menos desprezado. Pode-se também dizer que a sexualidade era frequentemente considerada, em lugares mais fervorosos, como uma espécie de concessão inevitável para a procriação e para aplacar o desejo; o sentido cristão não era muito aprofundado. Henri Caffarel afirma, com força, que “os leigos devem definir bem quais são os seus meios e os seus métodos, o que constituirá a espiritualidade do cristão casado” (Conferencia para os responsáveis das equipes, 1952).
Revisando os editoriais da carta das equipes dos primeiros anos, aprecem coisas interessantes. Em junho 1950, por exemplo, Caffarel da uma definição para a espiritualidade: “a espiritualidade é a ciência que trata da vida cristã e dos caminhos que conduzem ao seu florescimento pleno”. Em seguida o Pe. Precisa que não se trate, para as famílias que procuram construir a sua espiritualidade, de evadir do mundo, mas de aprender como, seguindo o exemplo de Cristo, servir a Deus na sua vida e no mundo. Ele lhes faz descobrir como a espiritualidade não seja feita somente por alguns passos como a oração e a ascese, mas requer o serviço a Deus aonde se vive: na família, no trabalho, na cidade.
No coração do percurso espiritual dos casais, Caffarel coloca sua reflexão sobre o amor, sobre os laços estreitos entre amor de Deus e amor humano. A chave é: “O amor humano é a referência para entender o amor divino. Pelo seu poder de tornar dois seres em um só, resguardando a personalidade de cada um, o amor nos permite de ter a inteligência da misteriosa união do Cristo com a humanidade e do matrimonio espiritual da alma com o seu Deus”. (Discurso sobre o amor e a graça, p. 44). Aqui está o ponto central: a partir da experiência vivida no amor do casal, pode-se descobrir o amor de Deus, sua fidelidade, seu desejo de bem para nós, ao mesmo temp que os cônjuges desejam a alegria um do outro, no âmbito humano e naquele de seu amadurecimento religioso; sem esta dupla dimensão, o seu amor seria imperfeito, mutilado, no dizer de Caffarel.
Para construir a espiritualidade, o Pe. Caffarel insiste no discernimento do verdadeiro objetivo procurado na vida espiritual. Em um vigoroso editorial que intitulou simplesmente: But numéro un, ele mostra que, entre outros objetivos como o aprendizado da oração e o estudo do pensamento cristão, aos quais não se deve renunciar, não se pode perder de olho o escopo número um: A UNIÃO COM CRISTO. União com Cristo, ou seja, imitação de Cristo em todas as horas e atividades da vida... Eis o objetivo. (carta, fevereiro 1950 ).
Se questionado sobre aonde pode basear a sua consistência esta aliança espiritual com Cristo, Pe. Caffarel coloca logo no centro da perspectiva a Eucaristia, prodigando-se para não isolar este sacramento dos outros elementos indispensáveis para a vida cristã: a formação da fé com o contato habitual com a Palavra de Deus, a oração de meditação e o amor vivo e eficaz ao próximo (cfr. Carta, Março 1958 ). Pe. Caffarel analisa o modo em que o casal vive a Eucaristia. No número, Le Mariage route vers Dieu, aparece um belo artigo sobre matrimonio e Eucaristia. Com o risco de antecipar um pouco o segundo ponto, preciso apresentar a reflexão do padre sobre este tema. Em comunhão com Cristo, o amor dos esposos é transformado pela graça da Eucaristia que lhe traz “purificação, novidade de vida” e que conduz a desejar compartilhar “o amor e a alegria de Deus, a santidade”( Propos, pp. 253-254).
Ma profundamente ainda, Pe. Caffarel diz ao casal que se o Cristo renova na Missa a sua única oferta do Calvário, é “porque ele quer que o seu sacrifício penetre até as profundezas carnais e espirituais da sua família, para criar também em vocês um estado de ânimo de oferenda permanente ao Pai” ( ibid. p. 261). Em fim, como Cristo vive seu sacrifício na Igreja na Missa, deseja vivê-lo na família que se dispõe habitualmente a doar-se realmente: os dois se doam um para o outro e ao mesmo tempo oferecem a seu amor a Deus do qual receberam tudo em Cristo.
Pe. Caffarel indica com profundidade o sentido do nascimento e da presença das crianças na família. Fiquei impressionado por duas frases achadas nos Propos: “O Criador fez do amor o insubstituível colaborador de sua paternidade. Por amor ao amor, Deus amarrou suas mãos: ele não terá outra posteridade se não aquela que lhe será dada pela união do homem e a mulher”. E ainda: “Esposos, sintam a batida do coração de Deus no desejo ardente de um filho na intimidade do seu amor” ( p. 44).
Assim, a fecundidade e a capacidade de gerar são dom de Deus, partilha de sua própria paternidade. O desejo de dar a vida associa inseparavelmente o amor do casal e o amor de Deus presente na família. A procriação e a educação manifestam, no dizer de Pe. Caffarel, o ágape que vivem os cônjuges e que eles aspiram a comunicar (cf. Le mariage, route vers Dieu, p. 288).
Tratando-se de educação, a espiritual esta privilegiada; Pe. Caffarel pede que nas famílias se formem “procuradores de Deus”, que frequentem a Bíblia, que rezem juntos, integrando na oração familiar os elementos da oração litúrgica da Igreja.
Um aspecto que não pode ser descuidado no que o Pe. Caffarel chama de a vida mística do casal cristão, é o sentido do pecado e do perdão de Deus. A espiritualidade do casal não deve ser idealizada! Quando as opacidades de um ou do outro, as incompatibilidades, as formas diferentes de mal que dividem, os esposos cristãos têm o dever de descobrir que são pecadores.
Os insucessos do amor levam a uma tomada de consciência do fato que o próprio amor tem necessidade de ser salvado. Caffarel conclui um parágrafo intitulado Communauté pécheresse, repentante et pardonnée com estas palavras: “Se aceitarem a dolorida descoberta (ser pecadores), a sua comunidade conjugal torna-se finalmente comunidade penitente na grande comunidade penitente que é a Igreja que recorre ao seu Senhor do qual não quer colocar em duvida a presença e a solicitude, então, abrindo-se para o perdão, renascerão para a esperança”. (Le Mariage ce grand Sacrement, pp. 332-333).

O sacramento do matrimonio


A reflexão de Henri Caffarel sobre o sacramento do matrimonio é um dos pontos mais elevados. Ele nos deixa como herança, com uma pesquisa espiritual que vá longe, também a preocupação forte de decifrar a realidade da vida conjugal à luz da união com Cristo. Em Roma no ano de 1959, em poucas palavras diz o essencial: “O matrimonio cristão, sacramental, não somente representa a união de amor entre o Cristo e a Igreja, mas faz o casal participe dessa união. Quero dizer que graças ao sacramento do matrimonio, o amor que une Cristo à Igreja é o mesmo que une, faz viver e alegra o esposo e a esposa”. (Les Équipes Notre-Dame, essor et mission des Couples chrétiens, p. 61)
Precisa distanciar-se de uma concepção que vê no sacramento somente o socorro de Deus para locar a graça ao serviço de uma certa comodidade. Isto não impede que os esposos cristãos desenvolvam todas as qualidades humanas da sua vida conjugal, porque é na sua própria realidade que a graça age para fazê-los avançar para a santidade.
O tema fundamental, seguindo as pegadas de s. Paulo, é ver o matrimonio estreitamente ligado à união de cristo e da Igreja, e já presente no Antigo Testamento na festa de núpcias de Deus com seu povo. Caffarel se pergunta: “como o matrimonio evoca a união de Cristo e da Igreja?”. Na base, o matrimonio é ele mesmo mistério de união, de intimidade, de corpos, de inteligências, de corações, de atividades este evoca a união de Cristo e dos membros de seu corpo. Esta união chega a compartilhar o sofrimento pelos esposos, porque a cruz sela a união total do Cristo com a humanidade. O matrimonio é também fecundidade, irradiação do seu amor, a imagem de tudo aquilo que o Senhor faz nascer pela sua caridade sem limites. Em fim a alegria reaproxima o casal cristão da gloria do seu Senhor, “a alegria de uma posse que nada nem ninguém pode romper”. (cf. Propos, pp. 69-70).
A experiência do amor permite ao ser humano de contemplar este segredo de Deus que é a festa de núpcias do filho com a humanidade. Mas tem mais, cito: “a última palavra de Deus sobre o amor humano, aquele que nós podemos repetir, mas não explicar: o amor consagrado pelo matrimonio está destinado a fazer escorrer nos nossos corações um pouco de aquela caridade divina que une Cristo à Igreja. (ibid., p. 71). A conseqüência é que a vida de casal, sua paternidade e a irradiação do seu amor participam da missão de Cristo e da Igreja.
O sacramento do matrimonio expressa a união de Cristo e da igreja, e isso prepara a comunicação deste mistério na Eucaristia onde se encontra “o infinito do dom e a plenitude da vida” (ibid., p. 72).
O campo de ação da graça sacramental nos diz Pe. Caffarel é o homem e a mulher, assim que tudo aquilo que forma a unidade com eles, o que faz parte deles, crianças, casa... ou seja, o movimento da encarnação redentora continua fazendo sacramento “o matrimonio total, em todas as suas realidades jurídicas, carnais e espirituais […] ao ponto que a união física do homem e da mulher faz parte do sacramento. A vida conjugal inteira não é só curada, elevada, santificada, mas torna-se santificante (Mariage, ce grand Sacrement, p. 315).
No mesmo contexto, Henri Caffarel nos mostra como o sacramento do matrimonio, no qual a presença ativa de Cristo está tão profundamente implícita, é um elemento essencial na construção da Igreja. Não é instituído só a favor daqueles que o vivem. O Cristo toma os casais que ele santifica para fazê-los pedras vivas de sua Igreja. Ele não os tira de novo do mundo, mas lhes comunica a sua graça que penetra até os fundamentos da família, onde eles estão. Pelo sacramento do matrimonio, as famílias tornam-se participes da construção do Corpo de Cristo no próprio coração da sociedade humana na qual estão inseridas.
P. Caffarel está entre os que divulgaram a concepção tradicional da família consagrada como “célula da Igreja”, “no sentido de pequena comunidade cristã visível, no seio da grande comunidade que é a paróquia; mas, muito mais profundamente, no sentido de elemento vivente na grande sociedade espiritual que é a Igreja (ibid., p. 317). Aqui diz que o casal não é simplesmente una subdivisão da paróquia ou da igreja universal, mas que a família vive em si mesma muito daquilo que caracteriza a Igreja. Aonde vive uma família cristã, começa já a viver a igreja.
P. Caffarel mostrou as condições para que uma reunião de cristãos seja um Ecclesia. Podemos apreciar uma breve síntese que cito textualmente: “A pequena Ecclesia é uma célula da Igreja, o Cristo está presente na pequena Ecclesia. A pequena Ecclesia é a esposa do Cristo e dialoga com ele. O Cristo serve-se dela para lhe comunicar o seu amor dúplice. A pequena Ecclesia descobre então no Cristo e pelo Cristo o Espírito Santo que Cristo lhe comunica, e o Pai para o qual a conduz”. (Conferencia de São Paulo, julho 1957 ).

A oração


Sabemos bem o quanto Pe.Caffarel empenhou-se, até o limite extremo de suas forças, para conduzir os leigos a fazer experiência da oração. Consagrou os últimos anos de sua vida, em Troussures, com as memoráveis semanas de oração. Lembremos também os Cahiers sur l’Oraison, ou as noites que animou em Paris, na Mutualité, seguidos por uma audience numerosa e fervorosa.
Não farei outra coisa a não ser roçar um tema tão importante; mas vocês têm a experiência da grande riqueza espiritual que o seu fundador abriu às equipes, como a muitos outros leigos. Frequentemente, Pe.Caffarel retorna sobre o caráter vital da oração. A vida sacramental não pode restar sem, escreve na carta de novembro de 1952: “A Eucaristia numa alma que não reza, é semente em terra não arada, não pode produzir seus frutos.”
Preparando a peregrinação a Lourdes em Pentecostes de 1954, ele parte de uma nota que volta seguidamente: O Senhor promete sua presença no encontro: Onde dois ou três estão reunidos. Mas Jesus diz também: Quando você quer rezar... Reze a seu Pai que está presente no segredo. Apela para a oração pessoal, mesmo que numa grande peregrinação: “ contentar-se com estar na multidão que circunda o Cristo sem tentar de fazer contato pessoal com ele, sem atar uma relação pessoal com ele, é experimentar muita indiferença ( carta de maio de 1954 ).
È necessário que cada um se empenhe nessa estrada segreda que só permite alcançar pessoalmente o Cristo. “Este caminho segredo é estreito, eu não posso conduzir vocês. Depende de vocês, de cada um de vocês, descobri-lo. Sejam humildes, sejam puros, sejam dóceis, sejam oração, sejam perseverantes e o encontrarão. E encontrarão o Cristo. ( ibid.) Para Caffarel, na vida leiga, a oração e a meditação é possível, sobretudo, se nutrida pela Palavra de Deus, se permanece em relação com a oração litúrgica da igreja e com a vida sacramental. No 1955 publica um editorial interessante, retomado em Propos sur l’amour et la grâce com o titulo: “Tantas falências “. Sempre é o seu desejo aquele de reagir à perca de dinamismo e de tepidez. O faz remetendo-se a três necessidades vitais: a Eucaristia, que o materialismo imperante não deve nos fazer abandonar, já que o Cristo escolheu o pão de cada dia para dar-se a nós; a Palavra de Deus, “vivente, re-criadora”. Não nos surpreende se a vida divina, fé, esperança e caridade declina e se apaga em aquele que se esquece de escutar ao seu Deus que lhe fala”.
— “A oração não é menos necessária. Salva do sufoco a nossa alma […]. Sua vitalidade, conservada pelo Pão da Palavra e pelo Pão Eucarístico, pode finalmente manifestar-se: a Deus que lhe falou responde, a Deus que se deu a ela, se entrega. Entre Deus e a alma instaura-se uma troca, aquela comunhão à qual todo amor aspira. Aos poucos é a vida inteira daquele que faz oração, e porque ele faz oração, que se torna oração”. Às objeções, Pe. Caffarel responde com firmeza: A vocês falta um guia? O fornecemos nós ou vocês mesmos podem encontrá-lo? A vocês falta tempo? Vocês tem o tempo para comer e dormir, não deixem a sua alma morra por inanição! (cf. Propos, pp. 128-129).
Não é este o local, mas é a hora de todos fazer um estudo sobre o ensinamento forte do Pe. Caffarel sobre a oração; tal vez não conheçam as Cent lettres sur la prière, publicadas sob o título Présence à Dieu.Ou ainda as Cinq soirées sur la prière intérieure. Quero ainda dar simplesmente a palavra ao padre, porque ele sabe melhor de muitos autores sugerir a realidade da experiência da oração. Uma pequena nota sobre este tema, concernente especialmente às traduções: a palavra oração, em francês, não tem necessariamente o mesmo sentido de termos semelhantes de outras línguas. Para entender melhor, ouçamos o próprio Pe. Caffarel: “A oração é deixar aquela periferia tumultuada do nosso ser, do qual falava, é recolher, reunir todas as nossas faculdades e entrar na noite árida até as profundezas de nossa alma. Lá, na porta do santuário, não é mais questão de calar ou de ficar atentos. Não se trata de sensação espiritual ou de experiência interior, trata-se de fé: crer na Presença. Adorar em silencio a Trindade Vivente. Oferecer-se e abrir-se à sua vida da qual . Aderir, comunicar ao seu Agir eterno. “ Aos poucos, a cada ano, o crescimento da nossa vida espiritual aperfeiçoado pela graça tornar-se-á mais sensível ao respiro de Deus em nós, ao Espírito de amor. …A nossa vida exterior, então, será a manifestação, a epifania da nossa vida interior. Será santa porque no intimo do nosso ser estaremos estreitamente unidos ao Deus Santo. (Cent lettres, p. 12)
Em um editorial do ano de 1957 intitulado “Plaidoyer pour l’oraison”. Remanejado e integrado nas “Cento lettere”, n. 5, com o título “Présence à Dieu”. Ele nos diz um pouco mais sobre a natureza da oração mental: « “A oração, ouso dizer, é uma conversação com Deus”, escrevia Clemente de Alexandria. …Para s. Teresa de Ávila, “a oração mental é”uma troca de amizade na qual se entretém a sós com este Deus pelo qual se sente amados.”.… Estas palavras, conversação e encontro riscam de favorecer um engano, fazer crer que a oração consista essencialmente em falar interiormente a Deus. Ela é um ato vital, que nos empenha totalmente... a oração: uma orientação profunda da alma, […] uma atenção, uma presença perante Deus de todo o ser, do corpo e da alma, de todas as faculdades que despertam.»
Questionado ainda sobre a importância, o impacto que tem a oração, Henri Caffarel respondia: “Por que a oração possui uma potencia tão grande? Porque, mais uma vez, ela não é uma atividade do homem mas uma atividade de Deus no homem, à qual o homem está associado. Cristo dizia: meu Pai e eu agimos sempre»; o homem que ora alcança em si mesmo a onipotente atividade divina, se entrega a ela, coopera com ela, lhe oferece o modo de penetrar em um mundo que, de outra forma, se fecharia para ele. (Cento lettere, p. 161).
Sabemos bem a insistência do Pe. Caffarel sobre o lugar da oração na vida familiar, a oração conjugal, que parece tantas vezes tão difícil aos equipistas, a oração familiar que não substitui totalmente a oração do casal, - a oração bem colocada na reunião de equipe-, a imersão na oração nos retiros em um silencio rigoroso do qual alguns tem uma lembrança um pouco dura. Sem trégua Henri Caffarel voltava sobre o assunto para convidar à oração, ligada à vida sacramental e à vida de todos os dias. Nós devemos continuar sobre a mesma linha. Os riscos de enfraquecimento do sentido da oração não são menos importantes na atualidade. Não seria inútil reler de vez em quando a Carta.


A fundação das equipes – as exigências


É evidente que a herança maior do Pe. Caffarel, é a fundação das Equipes de Nossa Senhora. O desenvolvimento da equipes em numerosos paises, é testemunhada pela presença de vocês, que mostra uma herança vivente.
Nos limites dessa exposição, quero retornar sobre algum aspecto da obra do Pe. Caffarel e da sua ação, ampliando o que já expus. Parto de duas intervenções do padre: Les Buts du Mouvement, uma conferencia dada no ano de 1952 aos responsáveis; e mais tarde, a conferencia para os responsáveis regionais europeus em Chantilly, quarenta anos após a Carta, no ano de 1987.
No ano de 1952, os escopos do movimento são expostos em quatro pontos: - uma escola de vida cristã: adquirir o conhecimento da vida cristã, do seu valor e conteúdo, de todas as riquezas do dogma,” e particularmente a descoberta da Escritura, à luz da tradição. “É a vida cristã, no conjunto, na sua amplitude, que precisa fazer descobrir às Equipes de Nossa Senhora, porque os equipistas devem desejar de viver com o Cristo, como o Cristo, pelo Cristo, em qualquer lugar, no âmbito conjugal com certeza; na relação com os filhos, sem duvida, mas também na profissão, na cidade, na paróquia, no tempo livre. »
Não se trata só de convencer as pessoas, mas de ajudar-se a viver a vida cristã na sua perfeição. Ajuda-se a viver o que se descobre. Tudo é ordenado em vistas daquela ajuda recíproca: ajuda recíproca material; ajuda recíproca nas dificuldades morais; ajuda recíproca para descobrir melhor juntos, as dimensões da caridade.
“Todos os meios, os pontos de força das Equipes de Nossa Senhora, todos os empenhos escritos na Carta, não tem outro escopo se não o de contribuir para a descoberta da pratica da perfeição da caridade”. È assim a partilha, a regra de vida de cada casal, o dever de sentar.
— É um laboratório para uma espiritualidade do cristão leigo casado, como já falamos.
Notamos que os equipistas são chamados a refletir sobre o modo de viver os conselhos evangélicos no matrimonio, a pobreza, a castidade. Trata-se sempre e adaptar a sua vida ao evangelho ».
- É um centro de difusão. Um dos objetivos é o de contribuir para a preparação dos jovens para o casamento. Igualmente, numa política de “círculos concêntricos”, o Pe. Caffarel pede as equipes de trabalhar não somente pela própria expansão, mas de aproximar outras famílias à espiritualidade com a participação aos encontros e aos retiros espirituais, às conferencias na cidade.
— É um testemunho. Simplesmente o testemunho da caridade fraterna, no espírito da palavra de Jesus: “ reconhecerão vocês como meus discípulos, sé se amam uns aos outros”. As famílias, diz Carta, querem que“o seu amor, santificado pelo sacramento do matrimonio, seja um louvor a Deus, um testemunho para os homens para demonstrar-lhes que Cristo salvou o amor… ».
P. Caffarel reagiu à critica feita frequentemente às equipes de considerar-se como uma elite, um pouco fechada. Ouçamos: “Eu convido vocês, contemporaneamente, ao orgulho e à modéstia. Ao orgulho porque temos uma missão para cumprir, missão limitada, certamente, sempre missão é... Mas, ao mesmo tempo, quero tem tenham muito forte o sentido da nossa pobreza. Nós somos pecadores e por isso não devemos nos orgulhar da missão recebida, mas temos que sentir o peso. Mas, atenção, não precisa que a modéstia, a humildade cristã, seja algo que irrita, enfraqueça a coragem.».
No ano de 1987, trinta e cinco anos mais tarde, Henri Caffarel faz um balance. Ele se alegra com aquilo que foi bem entendido do carisma, começando pela “reconciliação entre amor e matrimonio”, a descoberta do pensamento de Deus sobre o casal e de todas as realidades da vida do casal e da família. Louva a Deus pelo “matrimonio dos nossos dois sacramentos”, o matrimonio e a ordem; - vocês sabem a importância que o movimento da à presença ativa do sacerdote nas equipes.
Ele nota o que foi menos visto: junto ao amor, a abnegação, o dom de si, o abandono de si. Não se aprofundou o bastante o sentido cristão da sexualidade; diz “precisaria conduzir os casais para a perfeição da vida sexual”. Espera que a missão das Equipes de Nossa Senhora na Igreja possa renovar a antropologia, cessando de desconhecer a complementaridade dos sexos, rejeitando o maniqueísmo de corpo e alma. Desenvolver a ajuda recíproca para caminhar para a santidade, santidade dinâmica, ativa, que participa da evolução da criação.
Pe. Caffarel menciona pontos que não podiam ser vistos nas primeiras gerações: precisa ter em conta casais que não tiveram catequese e a sua pratica dominical não é habitual. Tem toda a questão das regras morais defendidas pela Igreja, vividas mal. É necessário olhar para aqueles que desejam ir mais longe,após vinte ou trinta anos de vida de equipe. Ajudar os casais a envelhecer bem, a viver a aposentadoria, a aproximar-se da morte.
Para completar tudo isso, alguma nota sobre o sentido da fundação das equipes; precisa lembrar ainda uma decisão capital, que é testemunhada no nosso encontro. A pesar do movimento ter se desenvolvido sempre em mais paises, foi tomada a decisão, pelo grupo responsável, de permanecer como um único movimento trans-frontaleiro.
“O pulo das Equipes de Nossa Senhora fora das fronteiras e dos oceanos, colocou um problema novo. Precisava fazer nascer em cada pais uma direção nacional autônoma ou conceber um grande movimento com uma direção única? Esta foi uma questão debatida e finalmente optou-se pela formula de movimento único, por ser mais fácil. “No plano da espiritualidade no existem fronteiras” (Vocation et itinéraire, 1959 ). Pe. Caffarel insistirá na internacionalidade da equipe responsável, mas também na submissão filial à hierarquia da Igreja local, em cada pais e diocese.

Conclusão

Nossa Senhora
Concluindo, quero citar ainda um tema caro ao Pe. Caffarel. Não é por acaso as equipes receberam o nome de Equipe de Nossa Senhora. Henri Caffarel tinha uma viva devoção para com a Mãe do Senhor. Mostrou a sua confiança na sua intercessão. Coloco alguma linha de um editorial, no qual ele parte do fato que Cristo mesmo ama sua Mãe, “entre todas as criaturas, com um amor de predileção: primeira após o Pai. Este amor pela Virgem não pode não estar em mim se estou unido a Cristo. Mas atenção! Este amor para com Maria não é sentimentalismo: é maravilha perante a radiante e mais santa das criaturas, é reconhecimento filial para a mais Mãe de todas as mães, é ativa vontade de agradá-la, de ajudá-la na sua tarefa, que é precisamente de maternidade perto de todos os homens.” ( carta de maio 1952 ).
Não fiz outra coisa a não ser citar alguns elementos da herança que nos deixou Henri Caffarel. É nosso dever fazê-los frutificar. É nossa responsabilidade preparar, sobre fundamentos espirituais sólidos e tendo conta das evoluções da sociedade, as orientações que permitirão às Equipes de Nossa Senhora de ver a aliança nova para a qual Cristo chama as famílias de todas as gerações.