I- INTRODUÇÃO:
As Equipes de Nossa Senhora oferecem-nos um caminho de conversão cristã,
pessoal e do casal. Bem sabemos, que a conversão se desenvolve ao longo
de nossa vida, na medida em que vamos assimilando uma maneira mais cristã
de viver.
Assimilar uma maneira mais cristã de viver, depende, em primeiro lugar,
da Graça de Deus. No Evangelho de São João (Jo 15, 5),
Jesus nos diz: “...sem mim nada podeis fazer”.
Nós não nascemos prontos. A partir do nosso batismo vamos construindo
o nosso “ser cristão”. Isto se faz, também (além
da Graça de Deus) através do esforço e da vontade de responder
ao chamado de Cristo: “Vem e Segue-me”.
Esse esforço vai moldando nossa maneira de pensar e de agir, que ficará
evidenciada a nossa opção fundamental: “ser cristão”,
que adquire novos matizes quando, nós casais, optamos por uma vida conjugal
cristã alicerçada no Sacramento do Matrimônio. A partir
daí, além do esforço pessoal para construirmos a “pessoa
cristã”, surge a necessidade de construirmos o “casal cristão”.
É um desafio para o qual somos apoiados pelas graças dos Sacramentos
do Batismo e do Matrimônio e pela Igreja que, em nosso caso, casais equipistas,
é caracterizada na pequena comunidade que escolhemos viver: “Equipe
de Nossa Senhora”.
II – DESENVOLVIMENTO:
Em nossa caminhada de conversão, três aspectos importantes, vivenciados
por nós equipistas, estão intimamente ligados entre si:
· Partilha
· Ajuda Mútua
· Vida de Equipe
Nesse desenvolvimento centralizaremos nossa reflexão na Partilha, sendo
que os demais aspectos (Ajuda mútua e Vida de Equipe) fluirão
em decorrência dessa reflexão.
A Partilha é uma parte integrante da Reunião Mensal de Equipe
e envolve:
Ø Preparação pessoal e em casal
Ø Realização em clima de oração
Ø Exercício de entre ajuda fraterna
Ø Mudança e aperfeiçoamento de atitudes
Ø Momento de celebração da Vida de Equipe
Preparação pessoal e em casal:
A Partilha atinge o seu sentido mais profundo quando, em comunidade, se partilha
o que se preparou individualmente ou em casal:
ü A realidade sacramental e a relação com Deus;
ü A organização do tempo para a Escuta da Palavra;
ü Os apelos que Deus dirige ao casal, através de sua Palavra (Meditação)
e dos acontecimentos da vida.
ü A realização do Dever de Sentar-se e suas conclusões;
ü O projeto de vida do casal e como a oração o ajuda a atingir
esse objetivo;
ü Que conseqüência de tudo isso pode gerar uma Regra de Vida;
Realização em clima de oração:
A Partilha não é “Co-participação” nem
“Oração”, porém está um pouco entre
as duas. Tem a dinâmica do pôr em comum e deve ser feita em clima
de oração, aproveitando o estado de espírito criado pela
oração de cada um. Não se trata de um momento para gracejos,
nem de ser rigoroso; acima de tudo deve ser um momento de misericórdia,
de praticar uma escuta profunda, consciente da presença do Senhor no
meio da Equipe que se reúne em Seu Nome.
Exercício de ajuda mútua fraterna:
Ter consciência de que a Partilha não é simples ato formal
a cumprir, não importa como, só porque faz parte da Reunião
Mensal de Equipe; antes de tudo, trata-se de algo completamente diferente: é
um exercício de ajuda mútua no seio da equipe, que a torna mais
forte, que a ajuda e que a estimula. Nesta caminhada, Deus e os irmãos
de Equipe são escutados no íntimo do coração; cada
um deve colocar-se no lugar do outro, mostrar compreensão e fazer, se
necessário, uma ajuda fraterna, com o respeito e a atenção
devidos àqueles que lhes abrem a sua vida espiritual.
Mudança e aperfeiçoamento de atitudes:
A Partilha é, na Reunião Mensal da Equipe, um momento que nos
convida à conversão (mudança de atitudes). Para orientar
nosso esforço pessoal, a pedagogia das ENS nos indica três atitudes
que devemos assumir:
1º - Busca assídua em nos abrirmos ao Amor e à Vontade de
Deus;
2º - Desenvolver nossa vontade de viver a Verdade;
3º - Aumentar a capacidade de viver o encontro e a comunhão.
A partir dessas três atitudes de vida pode-se chegar à santidade.
Elas estão na base dos Pontos Concretos de Esforço.
O hábito de “buscar a Vontade de Deus”, de “Viver a
Verdade” e de “Viver o Encontro e Comunhão” que cada
um, pessoalmente e em casal, vai desenvolvendo ao pôr em prática
os PCE, completam-se na Partilha onde cada um assume o outro, o de partilhar
o nosso relacionamento com Deus, através dos PCE. Trata-se do envolvimento
de toda a vida espiritual pessoal e do casal.
Na Partilha temos de manifestar nosso compromisso para com as três atitudes
de vida que formam nossa consciência humana e cristã. Elas não
podem ser buscadas ou vividas isoladamente. Assim, perdem seu sentido. Elas
formam um todo orgânico e indivisível e os PCE são os meios
que nos permitem cultivar e viver essas atitudes.
Por outro lado, a Partilha não é um momento de prestação
de contas: “fez e não fez”, etc... É o momento de
apresentar os nossos sucessos e dificuldades na vivência das atitudes
e dos PCE.
É o momento de nos comprometermos, perante nossos irmãos de equipe,
com a nossa transformação individual, conjugal, familiar, comunitária,
etc.
Momento de celebração da Vida de Equipe:
Sendo a Reunião Mensal uma verdadeira celebração da Vida
de Equipe, ela só tem valor como celebração quando as pessoas
se unem em nome do Senhor, em torno do evento celebrado, intensificando e cultivando
a vivência comunitária; portanto, a Vida de Equipe conduz cada
casal a uma integração entre si e com os demais membros da equipe,
contribuindo com sua parcela de experiência para o crescimento de todos.
É no momento da Partilha que essa verdade se consolida, pois, como já
falamos, sendo uma ajuda mútua espiritual comunitária, passamos
em revista nosso relacionamento com Deus através dos PCE.
A exemplo da celebração Eucarística, onde se rememora a
Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus
Cristo, a Reunião Mensal, como celebração da Vida de Equipe,
possui também essa dimensão, contendo partes que objetivam a rememoração
de tudo que se viveu entre uma reunião e a seguinte. Dessa forma consolidam-se
duas dimensões: ao mesmo tempo em que se rememora, celebra-se a Vida
de Equipe.
Por outro lado, a Reunião Mensal como celebração, tem uma
dimensão de prospecção, onde colocamos em perspectiva de
futuro toda a Vida de Equipe, na medida em que se prepara uma nova caminhada,
pois, é incompreensível que o sentimento de “ser cristão”
se manifeste somente durante a reunião e seja esquecida no restante do
mês. Assim sendo, as orações (em união com os irmãos
da Equipe e pelas intenções formuladas na reunião), a Partilha
(na realização dos PCE e Ajuda mútua ) prosseguem durante
o mês que se segue e que serão objetos de rememoração
e celebração na Reunião seguinte.
III CONCLUSÃO:
Pe. Caffarel, em sua primeira visita ao Brasil, nos disse: “Vamos para
as equipes para nos ajudarmos mutuamente, porque não queremos nunca interromper
nossa marcha. Haverá dias em que estaremos desanimados, em que estaremos
cansados... é então que teremos o apoio de nossos amigos. Digamos-lhes:
quando eu adormecer, acorda-me! Quando estiver cansado, sustenta-me! Quando
eu cair, levanta-me! Há um compromisso de ajudar os meus irmãos
de equipe a caminhar, em não deixar para trás aqueles que se desencorajam
e se acham cansados. Na montanha todos sobem juntos. Deixar um companheiro no
caminho, porque está cansado, é abandoná-lo, é trair
o nosso compromisso. É aí que está o valor da “Partilha”.
Cuidai muito da Partilha. Se ela não for bem exigente, sob pretexto de
discrição, será falta de caridade”.
Graça e Juarez