O capitulo 6, do livro ‘Textos escolhidos Padre Caffarel”, estudamos, ou estamos estudando o tema, “Construir a equipe”. Vamos levar para a Interquipes as conclusões que tiramos na nossa equipe de base. Para complementar este estudo seguem outros textos tirados de conferências proferidas pelo Padre Caffarel em terras brasileiras sobre “ecclesia”
Trecho de conferência pronunciada em São Paulo em setembro de 1972. “Testemunho espiritual”
Vamos examinar com bastante atenção o que é que Jesus fez para que essa primeira equipe tivesse a extraordinária força explosiva que lhe permitirá conquistar todo o mundo mediterrâneo e talvez a Ásia e até a Índia. Seu pensamento, todo o seu pensamento (como podeis ver não estamos longe de nossa vida de equipe) é formar uma equipe muito coerente, muito forte, tomada por um dinamismo interior. Observemos como Ele se empenha, pois não é simples o trabalho a que vai se entregar de formar uma equipe tomada por um dinamismo poderoso. Ele vai penar muito para conseguir isso, e começa formando a equipe e cada um dos membros da equipe. Sublinho a palavra formar. Reparai que Ele começa formando seu pensamento, porque tudo vai se firmar na visão das coisas que eles tiverem.
Quantas vezes lançamos equipes à ação sem ter tido o cuidado de dar a seus membros uma visão bem clara, aguda e entusiasmada da tarefa a cumprir! Mas Ele os ensina e lhes dirá poucas horas antes de morrer: "Já não vos chamo servos, mas amigos, porque vos ensinei tudo o que aprendi de meu Pai", A primeira garantia dessa equipe, a que fundamenta seu dinamismo, é ter adquirido a própria visão que Deus tem de seu projeto.
Ele não se contentou em lhes dizer o que é que tinham de pensar, disse-lhes também o que tinham de fazer. Mas os apóstolos não eram grandes intelectuais e Ele precisou formá-los, na vida comum com eles: dormiu e comeu com eles, viajou e rezou com eles, sofreu e se alegrou com eles, a mesma coisa que vós, pais e mães, fazeis com os vossos filhos. As crianças não são formadas só com palavras, mas pela vida da família. Foi isso o que Cristo fez com os apóstolos e, como dizem os universitários, fê-las fazerem "trabalhos práticos" para formar apóstolos e discípulos. De vez em quando lhes dizia: "Partireis sozinhos", como pais que deixam seus filhos sair para aprenderem devagar a ser adultos. Mandava-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e vilas onde pretendia ir. Preparava-os para a sua missão futura fazendo-os "treinar", dando-lhes "trabalhos práticos".
Eles voltavam todo felizes com o que tinham feito. E, de novo, antes de sua morte, Cristo lhes diria o que os esperava. É bonito ver que Jesus não os queria enganar. Preveniu (João, 15): "O mundo vos odiará, mas é bom saberdes que me odiou primeiro. Se fôsseis do mundo (e isto serve para nós também) o mundo amaria o que é dele, mas uma vez que não sois do mundo, porque minha escolha vos retirou do mundo, então o mundo vos odeia".
Ele continuou a formá-los, mas, quanto mais se adiantava nesse período de formação antes de sua morte, mais lhes dizia coisas pesadas. Dirigia-se aos apóstolos e também a nós. Na tarde da Quinta-feira Santa (reler os capítulos 13 a 17 de São João), na vigília Ele lhes entregou com abundância todas as senhas, deixou-lhes o testamento espiritual
Então, Jesus morreu. Estava a equipe preparada para assumir a responsabilidade enorme de suceder a Jesus no mundo? Não. Eles tinham sido formados e a equipe preparada, mas os apóstolos não estavam "transformados", a equipe não tinha sido "transformada".
Se tudo estivesse acabado nesse ponto os apóstolos jamais, jamais teriam convertido o mundo, apesar de terem sido formados durante três anos por Jesus.
Que
é que faltava? Faltava o dia decisivo de Pentecostes. Jesus algumas horas
antes de morrer, tinha-lhes dito aquela palavra que os entristecera: "É
bom para vós que eu me vá". Eles não puderam compreender.
Vendo-os tristes, Ele explicou: "Porque, se eu não for, vós
não recebereis o Espírito Santo, o meu Espírito, e vós
sereis sem grande fé, sem grande amor, sem grande coragem, a vossa equipe
não ficará muito tempo coesa, e será desfeita".
Haveria muita felicidade e o orgulho ficaria muito favorecido se o Espírito
Santo fizesse de cada um de nós alguém que se sente poderoso e
sabe que vai provocar aplausos em toda parte.
O Espírito de Cristo nos mantém fracos, mas o Cristo nos pergunta: "Mas é certo que acreditas?". É por isso que a fé é fundamental. "Porque a tua fraqueza me permitirá fazer grandes coisas." E quando, certa vez, os discípulos estavam de volta e chegando perto de Jesus lhe disseram: "Não conseguimos curar os doentes nem expulsar os demônios". Cristo lhes respondeu: "Na certa fostes velhacos, quisestes vos adiantar com as próprias forças, e o que vos faltou foi a fé para crer que não é o homem que tem forças, pois poderoso é o Espírito de Cristo através do homem".
A primeira equipe de Jerusalém foi fecunda, na Judéia, na Galiléia, na Ásia Menor, onde fundou outras pequenas equipes, ou ecclesias. Essas pequenas ecclesias são reproduções da primeira: reunidas por Cristo que não está visível, mas é sempre atuante, formadas por Cristo e habitadas pelo Espírito Santo. É isso que São Paulo chama de ecclesia. O conjunto de todas essas pequenas equipes seria a grande Igreja. No correr dos séculos, estudar-se-ia muito o mistério da grande Igreja, e esquecer-se-ia o mistério da igreja pequena. Haveria uma Igreja grande com uma direção poderosa, e uma grande massa de cristãos. Mas como viver em equipe se essa equipe tem 400 milhões de membros?
Aí é que se descobriu a necessidade das igrejas locais. São Paulo as fundou, com um bispo ou um dos anciãos para as dirigir. Estava tentando salvaguardar o princípio da pequena comunidade, de um tamanho que fosse possível viver a exemplo da comunidade dos apóstolos. Em nossos dias ainda existem essas ecclesias locais, a que chamamos dioceses e são chefiadas por um Bispo. Mas quem vai fazer uma ecclesia com todos os católicos da cidade de São Paulo? Daí a necessidade de equipes mais restritas. Creio mesmo que todos os problemas atuais de "primavera renovada" da Igreja sejam resolvidos pela tentativa de suscitar em toda parte pequenas ecclesias, à imagem da primeira equipe reunida em torno de Cristo, formada por Ele e transformada pelo Pentecostes. A Igreja, nossa grande, nossa querida, nossa bem amada Igreja Católica só será salva na medida em que as massas amorfas de cristãos constituírem equipes coerentes, ao redor do Cristo, animadas pelo Espírito de Cristo. Essa é a missão das Equipes de Nossa Senhora na Igreja de hoje.
Vamos ver agora as pequenas igrejas, que são as equipes de Nossa Senhora.
Temos a certeza de que não são uma reunião qualquer mas uma ecclesia, porque Jesus Cristo disse: "Se dois de vós se reunirem sobre a Terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles"(Mt 18,19).
Parte final da conferência realizada em São Paulo, em julho de 57, dirigida aos Casais Responsáveis das Equipes de Nossa Senhora “Ecclesia”
Vou resumir. Eis as sete condições para que uma reunião mensal seja uma verdadeira Ecclesia: a fé; a ruptura com o que nos prende; reunirmo-nos “em nome do Cristo”; o auxílio fraterno; escutar a Cristo; responder a Deus; união com a Igreja.
Há um aspecto que não abordei ainda. É uma palavra de ordem dada por Cristo à primeira Ecclesia, palavra esta que Ele dirige a toda Igreja e, por tanto, a cada uma de nossas reuniões mensais: “Todo poder me foi dado no céu e na terra; ide pelo mundo, pregai a boa nova a toda criatura”. E São Marcos esclarece pouco depois: “E eles se foram, pregar por toda a parte, e o Senhor os assistia”.
Uma assembléia cristã é uma assembléia missionária, isto é, um porto servindo de base e de onde cada qual parte para levar a convocação de Deus a todos os homens.
Que fiz eu perante vocês? Simplesmente procurei ver com olhar de fé a sua assembléia, a sua reunião mensal. E estou certo, aliás, que ao ouvir-me, vocês vieram a compreender certas impressões que talvez já tivessem tido, mais de uma vez, em face desta qualidade de amizade.
Estou convencido de que a qualidade e a irradiação das suas reuniões de equipe serão seriamente aumentadas este ano se, de reunião em reunião, os seus encontros se tornarem verdadeiras Ecclesias